A dor da perda faz-nos pensar sobre aquilo que ainda temos.
O dia de ontem foi estranhíssimo para mim, estava angustiada o dia todo e quando quis sair de casa pra ver se mudava um pouco caí em frente ao prédio que moro. Como já tenho 8 parafusos na minha perna esquerda e quase nada de estabilidade estava feito o desastre. O tornozelo inchou e ficou do tamanho de uma bola de vôlei.
Subi as escadas mancando, deitei no sofá e meu irmão e grande amigo Pedro de 12 anos foi quem preparou a bolsa de gelo pra colocar na "refratura". Não é a primeira vez que acontece então a dor não foi tão colossal como das primeiras vezes. Sim, porque depois que quebrei e perdi a tal estabilidade cair do nada é rotina.
Foi então que percebi que minha cadelinha, a Corinne, começou a ficar meio "borococho" por la, ela dormiu o dia todo e quando levantava tinha náuseas. Mas nada saía de dentro dela. Tratamos ela com ração na boca e água também. Pensei até em dar chazinho pra ela, mas ela melhorou. Reagiu. Então, eu desisti da ideia do chá...
Ficamos eu e Pedro só observando-a.
Fizemos ela beber bastante água, só que a noitinha ela voltou a ter náuseas...
Chegou a um ponto que as náuseas vieram acompanhada de vômito, só um restinho de ração. Ela desmaiou depois disso.
Aí corremos eu e minha mãe para a veterinária com a filhótinha, saímos correndo do jeito que estávamos em casa. Eu com ela no colo e minha mãe dirigindo "a mil pelo Brasil" digo pela Corinne.
Não adiantou. A 1h da manha foi decretado o óbito dela.
Foi horrível, ali na nossa frente. Minha mãe começou a enlouquecer e a insistir com a veterinária para que tentasse reanima-la mas já não adiantava.
A Corinne Bolacha, como a gente chamava, foi morar em outro plano.
Saímos dali, ficamos rodando de carro e chorando, por ela, pelo jeito como foi, pela maezinha dela que foi roubada dias antes, pelo fato de não termos percebido antes seus problemas cardíacos graves, pelo meu pai não gostar de cachorros e não nos dar o mínimo apoio, por tudo de rui que estava acontecendo naquele momento em nossas vidas.
Ainda tinha o fator "Como vamos contar para as crianças?"
Eles estavam dormindo em casa quando saímos com ela, pela manha a primeira coisa de que sentiram falta e o bombardeio da noticia.
A cachorrinha foi criada muito próxima a nós, por isso doeu tanto.
Hoje ao meio dia, um silencio profundo a mesa até que minha mae disse, que o importante agora era não abandonarmos o que temos ainda. As lembranças!
Mas sempre viveremos com a dor da perda, hoje pela cadela, amanha por um ente querido...
Jamais perderemos tudo, ainda teremos as lembranças...
Corinne e em nossos corações!

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